sábado, 13 de fevereiro de 2010

Arruda: sorte ou azar?


JOSÉ ROBERTO ARRUDA. Esse nome ocupou as manchetes dos grandes jornais brasileiros durante a semana do carnaval de 2010.

Mineiro de Itajubá, Arruda iniciou sua carreira pública no fim dos anos setenta e início dos oitenta, como diretor da NOVACAP (Companhia Urbanizadora da Nova Capital). Ainda na década de oitenta, José Roberto Arruda assumiu a diretoria da CEB (Companhia Energética de Brasília). Com isso, tornou-se amigo de Joaquim Roriz e consequentemente assumiu a chefia de gabinete deste, até então governador do Distrito Federal – DF. Ainda no governo de Joaquim Roriz, Arruda assumiu o cargo de secretário de obras do DF. Poderia dizer, que foi nesse período que as polêmicas envolvendo o nome de Arruda começaram.  Enquanto secretário de obras, Arruda foi envolvido no esquema de irregularidades na construção do metrô de Brasília.

Com o apoio do até então governador do DF, Joaquim Roriz, José Roberto Arruda foi candidato a senador em 1994, obtendo vitória. Um ano após às eleições para o Senado Federal, Arruda rompeu seus laços com Roriz e se candidatou ao governo do Distrito Federal na chapa do PSDB contra Joaquim Roriz. Arruda foi derrotado, ainda no primeiro turno, pelo ex-amigo, Roriz e por Cristovam Buarque, ocupando o terceiro lugar.

Cronologicamente, em 2001 esse nome ocupou as manchetes dos jornais de grande circulação no Brasil. Arruda foi indiciado por violação ao painel eletrônico do Senado Federal, até esse período, ele ocupava a liderança do governo no Senado. Vale lembrar que essa violação ao painel eletrônico do Senado, utilizado na votação que cassou o mandato do ex-senador Luís Estêvão, Arruda não estava sozinho, ele teve a ajuda do falecido Senador Antônio Carlos Magalhães e Cia. No início, subiu na tribuna do Senado e foi categórico ao negar seu envolvimento no escândalo. Poucos dias depois, na mesma tribuna, volta Arruda com outro discurso. Encurralado, pressionado e com medo de perder o mandato e ficar inelegível por nove anos, ele decidiu confessar sua autoria na violação painel. Inclusive pediu ao povo perdão e chorou. Pobre coitado!

Até hoje, me questiono o motivo de ter sido, o Arruda, o deputado federal mais bem votado pelo DF, um ano após seu envolvimento na violação do painel do Senado. É, talvez seja pelo fato de o povo brasileiro não ter memória.

Nas eleições de 2006 lança-se pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PFL (depois da denúncia de violação ao painel do Senado, foi afastado de PSDB e ingressou-se no extinto PFL). Através de uma estratégia política realizada pelo então presidente do PFL, Jorge Bornhausen, estratégia esta considerada "de mestre" pelos analistas políticos, o partido decide romper com a base do ex-governador Joaquim Roriz e lançar uma "chapa puro sangue" (Com candidatos a governador e a vice-governador do mesmo partido) onde José Roberto Arruda seria o candidato ao governo e Paulo Octávio o vice. Essa estratégia gerou muita especulação da imprensa, inclusive sobre acordos escusos entre Arruda e Paulo Octávio. Apesar das especulações e pressão, a aliança permaneceu até o fim da campanha, onde Arruda foi eleito em primeiro turno, com pouca vantagem sobre as candidatas Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, Arlete Sampaio, do PT, e outros candidatos.

Diante de denúncias, em 27 de novembro de 2009 a Polícia Federal – PF, numa operação conhecida como operação pandora, em cumprimento a ordem judicial, realizou mandados de busca e apreensão na residência oficial do governador Arruda, em secretarias do governo e em gabinetes de deputados na Câmara Legislativa. Na operação, a PF apreendeu computadores, mídias e documentos, além de 30 mil dólares, cinco mil euros e 700 mil reais.

De acordo com as denúncias, Arruda controlava uma rede ilegal de pagamentos a parlamentares do Distrito Federal. O dinheiro pago as parlamentares era originário de empresas que tinham negócios com o governo Arruda. Dentre as empresas, quatro são suspeitas de efetuar repasses criminosos: Info Educacional, Vertax, Adler e Linknet.

No esquema do mensalão do DEM de Brasília, como ficou conhecido o esquema encabeçado por José Roberto Arruda, os deputados distritais suspeitos de serem beneficiários do esquema são Leonardo Prudente, Rogério Ulysses, Eurides Brito, Pedro do Ovo, Rôney Nemer, e o presidente do PP no DF, Benedito Domingos.

Recentemente foi divulgado um vídeo no qual Arruda aparece recebendo maços de dinheiro, quando ainda era candidato em 2006.  A defesa de Arruda foi simplesmente fenomenal e ao mesmo tempo patética, o governador defendeu-se, alegando que os 50 mil reais em espécie que embolsa no referido vídeo tiveram como destino a compra de panetones para os pobres de Brasília (acredita quem quiser).

Ainda em dezembro de 2009, Arruda se desfilia do DEM, e alega não se candidatar nas eleições de 2010. Mas também isso é óbvio, os prazos para as filiações a partidos políticos, já tinham se esgotado.

O mais impressionante é a declaração de Arruda em 07 de janeiro do corrente ao declarar que "perdoar os que o insultam". Afirma ainda que entende as indignações devido a força das imagens.

Em 12 de janeiro de 2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decretou a quebra de sigilo bancário e fiscal do governador. Além do governador do DF, outros investigados e oito empresas tiveram a quebra do sigilo decretado pelo STJ.

Recentemente, no dia 11 de Fevereiro de 2010, numa decisão única do STJ, o governador José Roberto Arruda teve decretada sua prisão preventiva, junto a mais cinco pessoas, com o objetivo da preservação da ordem pública e da instrução criminal. Um dos motivos da prisão preventiva foi a suposta participação na tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, testemunha do caso.

Ainda ano dia 11, no final da tarde, os advogados de Arruda impetraram habeas corpus no Supremo Tribunal Federal – STF. O ministro Marco Aurélio, no último dia 12, ao analisar a liminar, negou provimento, mantendo, assim, a decisão do STJ. O julgamento poderá ocorrer na próxima quarta-feira (dia 17). Agora é esperar para ver.

O caso Arruda é único na história desse país. Essa foi a primeira vez que um governador é preso em exercício. Em entrevista, o Presidente Lula declarou que o caso Arruda sirva de exemplo para os demais.

Depois dizem que arruda traz boa sorte. O governador do Distrito Federal, mais que ninguém, sabe perfeitamente disso.

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